
O nome dela era Marinela. Ninguém acreditava que eu namorava uma princesa. Algumas pessoas nem sabiam que existia princesa na África. Mas a minha era de lá mesmo, de Angola. A Marinela era branquela e tinha mais sardas do que o céu de Luanda. Na realidade, só tínhamos nos visto uma vez na vida e todos os dias esperávamos pelo dia de nos vermos de novo. Enquanto esse dia não chegava, a Marinela me telefonava todas as noites e nós conversávamos até ela dormir. Com o seu sotaque português, a princesa me dizia que só conseguia dormir depois de me ouvir. Ou será que era eu que só conseguia dormir depois de falar no ouvido dela?
Editora Abacatte
Ano: 2011















