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Sobre mulheres e suspiros Imprimir PDF

Márcio Vassallo

Na escola, a menina viu um homem dar uma flor para a professora. “Ah, eu queria tanto ganhar umas flores”, a menina disse, suspirando, só para o menino ouvir.

O menino ouviu e, com a coragem que devia ser ensinada no colégio, levou umas flores para ela, no dia seguinte.

Com ou sem coragem, um menino sempre acha que precisa agir, quando escuta a sua garota falar.

Depois, com o tempo, nos tornamos homens, amadurecemos, claro, e continuamos agindo do mesmo modo.

Tem vezes que fazemos o que elas querem só pela pretensão de achar que tiramos delas um riso inédito, um riso exclusivo, e assim as deixamos ainda mais bonitas.

Tem vezes que elas ficam ainda mais bonitas para se verem assim, ou só pela pretensão de achar que também tiram esse riso de nós.

“Mas, afinal, o que as mulheres querem”, pergunta um velho rapaz a outro, pelo telefone.   

“Será que o mais importante é saber o que elas querem, ou descobrir a forma, o momento e o lugar das suas vontades mais legítimas e essenciais?”, o outro tem desejo de responder na hora, sem achar as palavras certas para isso. 

Mais tarde, ele acha que encontrou as palavras certas, e escreve para descobrir o que pensa.

A mulher quase sempre já sabe o que pensa, mesmo quando não sabe o que quer. Mesmo quando o que ela sente nem é tão claro assim.

Tem vezes que uma mulher precisa de palavras, para clarear o que sente. Tem vezes que ela carece de silêncios, para sentir o que mais a atravessa, sem compromisso com clareza, verbo, rédea, ou coerência.

Tem vezes que tudo o que ela mais quer é ganhar umas flores, sem ter que suspirar para o menino ouvir.

 

Márcio Vassallo conversa com os leitores sobre educação para o encantamento, em sua coluna, sempre às quintas-feiras, aqui no site. Então, para dividir dúvidas, belezas, mansidões, inquietudes, sentimentos e impressões, envie uma questão para o autor, e aguarde a resposta, ok?

 

Leia as colunas anteriores e mande a sua pergunta por email para o meu contato.

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